Tic Tac.
Eu estava pensando no quanto os dias são longos. Sei lá, para mim são. Quando estou esperando pelo dia em que irei te ver, eles são imensos. Fico olhando para o relógio, e como os ponteiros passam devagar! Tic, tac, tic, tac. Cada tique era um aperto no meu coração – se os minutos passavam devagar assim, imagina os dias. Só não desanimava por completo porque sabia que esse dia iria chegar, demorasse o tanto que for, mas iria. O dia no qual eu veria o seu sorriso bem pertinho de mim.
Só sei que, quando esse dia chegou, acordei na euforia e não tardei a me arrumar. 20 horas. OK, ele deve estar chegando, afinal, disse que estaria aqui às 20 em ponto. 20h15. Tudo bem, atraso faz parte. 20h30. Batia os dedos incontrolavelmente na mesa, demonstrando impaciência. O tempo passava devagar como nunca. Já estava enlouquecendo quando a campainha tocou. Então você veio. Só me lembro que a partir daí as horas começaram a passar rápido, até porque não me lembro mais de nada – tudo foi como um clarão. Você disse “oi” e depois “tchau”, quando vi, você já tinha ido embora. E os dias voltaram a ser longos.
Escrito por letícia às 20h49
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Reencontrando o Ex Namorado. Preciso de uma roupa bonita. Sim, mas qual? Sem decote, sem decote! Saia curta, sei que ele gosta das minhas pernas. Salto alto – maldito um metro e meio de altura. Graças à Deus o salto é alto. Ok, vamos rezar para eu não cair. Se eu cair, que seja nos braços dele. Roupa toda aberta nas costas. Ops. Depilo ou não depilo? Depilo, vai que eu acaba sendo necessário. Comprar camisinhas também. Sei lá, qualquer coisa eu brinco de balão. Sempre prevenida. Talvez um pouco sonhadora. E paranoica. Definitivamente paranoica. Unhas feitas, tomara que não quebrem. Perfume. Qual será que ele vai gostar mais: Nina Ricci ou Carolina Herrera? Ah, foda-se. Brinco de argola. Banho de 45 minutos: tenho que estar perfeita. Mais do que isso até. Será que ele vai me querer? Me olho no espelho. Não, não vai. Ando pela casa me xingando. Droga, Letícia, cadê a auto estima? No cu. Hora de escutar uma música alta. Não, Fresno hoje não. Led Zeppelin, isso, é o que eu preciso. Também preciso relaxar, ou posso acabar matando alguém. Tomara que eu o mate para acabar logo com isso. Bom, está chegando a hora. Maquiagem,blusa, brincos, saia, Nina Ricci e salto. Estou bonita? Talvez. Acho que sim. Seja o que Deus quiser. Abro a porta. Ela se fecha.
Escrito por letícia às 22h02
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O Homem da Minha Vida e Os Transtornos da Sua Mudança. É estranho saber que o dia que eu soube que finalmente achei o homem perfeito para mim, foi o dia que você soube que em dois meses iria se mudar para o outro lado do país, separando nossos caminhos, enganando nosso destino, apagando nossas pegadas e destruindo nosso futuro. Acho que iria me matar se eu não tivesse te dado um beijo antes de partir e me despedido do jeito apropriado. Pude olhar em seus olhos ao falar que irei sentir sua falta, porque irei mesmo. Senti você tão perto, sabendo que em poucos minutos você estaria tão longe. Vi seu avião partindo, e com ele iam as esperanças e todos os planos que eu tinha para nós dois. Não tive a chance de falar que você é o homem da minha vida. Nunca vou saber se eu fui a mulher da sua.
Escrito por letícia às 21h43
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Confesso! Às vezes tenho vontade de sair por ai despedaçando corações alheios, dançando e me divertindo com os sentimentos dos outros só para tentar compensar todo o sofrimento que já passei. Claro que não iria compensar. Mas mesmo assim. Queria ter um detector de mentiras. Pelo menos até o dia que eu puder saber se está sendo sincero ou não ao olhar em seus olhos. Desse jeito, eu teria evitado o sofrimento ao saber que você pensava nela quando estava comigo, e não em mim mesma. Eu já saberia logo de cara que você não era confiável. Queria bater na sua porta. Na sua cara. Dizer que você foi um canalha, mas foi o meu canalha. Te esquecer foi difícil, mas claramente possível. Confesso que minha cidade já não me faz bem. Preferiria estar em outro lugar, não importa qual, mas quero estar bem longe. Longe de lembranças, longe de você. Sozinha. Já cheguei a amar uma vez. E realmente espero que seja a última. Alguém ainda pode me fazer mudar de ideia, mas pra mim, amar é coisa do demônio. Sentimentos, prefiro que fiquem no zoológico. Confesso que, mesmo depois de tudo, ainda quero você por um dia. Uma noite. Um segundo.
Escrito por letícia às 15h34
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Tchau, Amor. Tarde de domingo, tem algo estranho no ar. Você olha para o seu namorado: o abdômen dele não está mais o mesmo, a barba mal feita que você antes achava um charme agora te incomoda e você não aguenta mais a mesma bala fedida de menta que ele usa para te beijar. Aí você percebe que ele tem o mesmo penteado que o Justin Bieber. Não vale mais a pena ver filmes de qualidade duvidosa sobre samurais com ele só porque ele gosta. Você não suporta mais ouvi-lo cantarolar sertanejo todo santo dia pela casa, que antes passava despercebido. Se arrumar toda para sair com ele agora é besteira, e mais de duas horas na sua presença vira um inferno. É, o amor acabou. Ou seja, você termina o namoro para depois iniciar outro. Um namoro em que o cara tem sotaque nordestino, se veste como um skatista de 14 anos e tem a mania de imitar o Lula Molusco quando vocês começam os amassos. E, no começo, você vai achar tudo uma fofura. Se prepare. E nem vai perceber que ele parece o Senhor Cara-de-Batata.
Escrito por letícia às 21h20
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Mudanças e ex namorados. - Você não vai acreditar. Acabei de encontrar com o seu ex namorado, o Marcinho. Ele está casado e sua esposa está grávida. Parecem felizes... - Não é possível. Marcinho disse que nunca queria ter filhos. E não adiantava dizer que ele podia ter mudado de ideia, e que agora é doido por crianças e quer ter mais três filhos – e era verdade. A ex namorada sempre vai pensar que a opinião dele continua a mesma, que ele sempre vai ser aquela pessoa de anos atrás e a única explicação possível é a camisinha ter rompido. - Gilberto! Adivinha quem está namorando? A Ana. - Ana? Ana Luíza? - Sim! - Aquela vaca? - Anh... Sim, eu acho. - Aquela que me traiu dezesseis vezes, e uma dessas vezes foi com o meu primo?! - Sim, essa mesma... - Então fala para o novo namorado dela se abaixar, porque deve estar cheio de galhos! Aquela mulher não presta, de jeito nenhum. - Mas Gil, o relacionamento de vocês foi há sete anos, ela pode ter mudado... - Não. Não mudou. Por algum motivo, as pessoas se recusam a acreditar de que os ex namorados mudaram, amadureceram e hoje fazem alguém feliz. Se tal pessoa era daquele jeito quando te namorava, não vai mudar. Vai ser assim pra sempre, com todos os relacionamentos futuros em que estiver. Mas não é bem assim. As pessoas mudam com o tempo. Menos os meus ex. Eles não mudam. Mentira, um mudou. Um dia, fui falar com um ex meu. Terminamos bem, mas ficamos muito tempo sem nos falarmos. E ele tinha uma vida nova que eu não fazia nem ideia. Fazia aulas de piano – e provavelmente estava tocando melhor do que eu -, francês e estava namorando. Tirando o fato da nova namorada ser uma versão morena de mim, ele estava bem mudado. Mas algo me chamou a atenção. Passei numa livraria e fui para a sessão de livros, como de costume. Aí ele foi junto, quando normalmente ele iria direto para os CD’s e DVD’s. Ele abriu o sexto livro de Harry Potter e, com um sorriso no rosto, falou: - Estou quase acabando esse aqui. Muito bom. PARA TUDO. - Ué, pensei que você odiasse Harry Potter. Você sempre criticava quando eu os lia mais de uma vez. - É, eu odiava, mas minha nova namorada me fez gostar, de tanto que ela fala sobre a série. “Porra, eu falava o tempo todo desses livros malditos e você continuava odiando! O que ela fez pra você gostar tanto assim? Transou com você enquanto contava a história?”, pensei. Mas abri um sorriso – mais falso que o inferno – e fui folhear outro livro. É, as pessoas mudam. - E aí, você continua broxa? Eu não mudo.
Escrito por letícia às 21h52
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911 - Alô, 911? É uma emergência. - Claro que é uma emergência, aqui é o 911. Você só liga para emergências. Senão seria uma grande perda de temp... - Tá, tá, tá. Não tenho tempo pra isso. Como já disse, é uma emergência. - Sim, sim, fale. Estamos aqui para te ajudar. - Estou com o coração partido. - Hã? Está de brincadeira? Isso não é uma emergência! - Como não? Já te magoaram a ponto de você esquecer o sentido de viver? É uma puta emergência! Desligou. Segundos depois... - Alô, 911? - Sim. - Acabei de ver meu ex namorado beijando outra. Cadê a ambulância? Desligou novamente. - 911, rápido! Estão me perseguindo com armas aqui! - Sério? Onde você está? Mandaremos reforços. - Na verdade, quem está com a arma sou eu. Quero me matar porque meu namorado me traiu. E desligou pela terceira vez. O amor não é uma emergência.
Escrito por letícia às 12h58
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Coração Partido. Se você nunca teve um coração partido, aqui são os sintomas mais comuns: · Dor forte no peito. · Vontade de morrer. · Vontade de falar com você o tempo todo, mesmo sabendo que meu coração vai se partir ainda mais ao fazê-lo. · Dificuldade na respiração. · Desespero interno (principalmente ao vê-lo ou ouvir algo sobre ele) · Choros constantes (o que pode gerar dores de cabeça) Como curar (médicos já avisam que é difícil): · Fingir que está tudo bem. · Seguir em frente. · Não pensar muito nele (muito difícil, apenas fantasmas conseguem) · Fazer compras (não recomendável) E ninguém imagina o quanto é difícil levantar da cama toda manhã com aquele buraco no peito, querendo se jogar na frente de um ônibus e mesmo assim ter que colocar um sorriso e fingir que está bem. Sabemos que não está. Professora, aqui está meu atestado de três dias. Estou com sintomas de coração partido.
Escrito por letícia às 22h38
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Coisas idiotas que já fiz por amor. Deixar de ir para os lugares por causa dele. Ah, que bonitinho, ele está com ciúmes, então não vou pra essa festa. Ah, ele quer passar a tarde comigo hoje, então não vou sair com as minhas amigas. Ótimo, aí vocês terminam e só sobra a lamentação por ter deixado de viver sua vida naquele momento. É uma coisa bem idiota, mas admita, você já fez várias vezes. Ver filmes sobre assuntos fora de sua rotina, que você realmente – não importa o quanto tente – não consegue se interessar, nem entender. É filme de tiro, filme de luta, filme de violência, só falta filme pornô. Mas talvez isso não seja uma ideia tão ruim. E ah, uma dica: seu namorado não te chamou pra ver Transformers porque adora carros que viram robôs. É que ele gosta mesmo de uma tal de Megan Fox. Dar apelidos fofos e supostamente românticos. Chuchuzinho, bombonzinho, cara de bumbum, etc. Você nem sabe o quanto isso é constrangedor, então, se for falar, não fale em público. Mantenha em segredo. Conhecer a família dele, e apresentar a sua. Imagina depois, vocês terminam e você encontra a família dele no mercado. Diversão tamanho família! Literalmente. Associar a pessoa à uma música. Aquela é a “sua” música com o fulaninho, só de vocês dois e de mais ninguém. Agora experimenta ouvi-la depois do término. Não será mais tudo lindo e maravilhoso. Se você tem amor à vida, terá que deletar a música, não importa o quanto você a ame. Ou deletar a pessoa, mas isso é quase impossível. Delete a música mesmo. Depilar a virilha. Isso já é auto-explicativo. Mudar por ele. Nem que seja algo simples, como mudar seu guarda-roupa porque ele acha que suas roupas são bregas; mudar seu gosto musical porque ele acha que suas músicas são depressivas demais e que você tem que escutar mais samba; mudar seus hábitos porque simplesmente não combinam com ele. E, principalmente, mudar sua rotina, mudar seus costumes, mudar em você é, sem se preocupar se ele iria te aceitar pelo seu próprio jeito ou não. Acreditar nas mentiras dele. “Calma, amor, eu vou no baile funk, mas não vou olhar pra ninguém, só tem você na minha vida, eu juro!” Achar que ele vai ser diferente com você. “Não, ele nunca faria isso comigo, ele mudou. Por mim.” Não, ele não mudou. E nem irá mudar. Lembrar da pessoa toda hora. Sabe o que é ir na fábrica de chocolate e lembrar do seu ex? Isso, meus amigos, é uma coisa totalmente idiota que você já fez – e continua fazendo – por amor. Morrer no trauma. Esse trauma que você sofreu vai te guiar por todos os seus relacionamentos futuros. Boa sorte. Amar. Só isso, por si só, já é a maior besteira que uma pessoa conseguiria fazer. E dá pra evitar? Não, nem queremos. Pode concordar, é a besteira mais sofrida, louca e divertida que você já fez. Não se arrepender das merdas que você fez por ele e achar que valeu a pena porque foi por causa dele. NÃO VALEU, PORRA. Repetir tudo de novo. Oi, prazer, ainda não depilei minha virilha.
Escrito por letícia às 13h11
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Ressaca. Acordou no banheiro. A cabeça dela tremia e ela sabia que a culpa toda era da vodka. E talvez da tequila. Deu um suspiro longo. Que dor de cabeça do inferno. Acordou no banheiro e não estava sozinha. Aquele homem estava a olhando, com um sorriso bonito, porém malicioso. Estava sentado na privada e, por incrível que pareça, estava até sexy. Não sei se era efeito do álcool, mas ele nunca esteve tão sexy. Ela estava em pé, ou tinha quase certeza que estava, pois estava tudo girando e o chão havia sumido. Resolveu se encostar na parede, assim tinha mais chance de não cair. Mas a chance continuava pouca, porque ela sabia bem que álcool e salto alto não fazem uma combinação muito boa. Não se lembrava de porra nenhuma. Não se lembrava de como ela havia entrado naquele banheiro com aquele homem – que ela dava graças à Deus por não ser um completo desconhecido – e nem se havia bebido tanto para estar naquele estado. E o mais importante: não fazia idéia do que haviam feito. Verificou se o zíper do seu short estava aberto: não, estava totalmente fechado, e ela estava completamente vestida. Isso era um bom sinal, mas não queria dizer muita coisa. Escutou uma risada atrás dela. Ele ainda estava com o sorriso malicioso no rosto, mas nunca esteve tão fumegante de vontade. Isso a deixou um pouco assustada. Estava tão preocupada em tentar descobrir o que diabos tinha feito naquele banheiro maldito – mas absurdamente limpo – que até havia se esquecido do homem com quem talvez havia feito algo. Correu para a porta. Estava trancada. Isso também não era um sinal muito bom. Ainda ofegante e tremendo, tentou destrancar com a chave minúscula que estava na fechadura. Argh. Tinha esquecido como era difícil fazer aquilo quando estava bêbada. - Não, não... O homem rapidamente a virou para si, então ela caiu direitinho em seus braços fortes, num tropeço desastrado. Dessa vez, prestou atenção em seu rosto. Em seus olhos. Não lembrava que era tão bonito, mas ela mal lembrava seu próprio nome naquela hora. Então, ficou bem claro que ela o desejava, um pouco mais cedo de se embebedar totalmente, e havia conseguido o que queria. Mas queria muito se lembrar de como havia conseguido tal proeza. Encostou seus lábios no dela. Se fascinou pelo gosto de seu beijo. Mas lembrou que tinha que sair de lá rapidinho. Afinal, já eram seis da manhã. Com muito esforço, conseguiu fugir de seu abraço e rapidamente destrancar a porta. Pegou sua bolsa encontrada na sala e foi em direção à saída da casa do rapaz em alta velocidade. Quando finalmente saiu e desceu as escadas, lembrou que ainda não dirige e que sua casa era extremamente longe. Suspirou de novo. Subiu as escadas. - Pode me dar carona pra casa? Ele sorriu, mais belo que nunca. Pegou as chaves do carro e logo a dirigiu para a garagem. Até chegar no outro lado da cidade, não haviam falado uma palavra, até que a menina não se aguentou: - O que, por Deus, nós fizemos hoje? - Nunca saberás – ele deu uma risada, mas pôde perceber que estava falando sério. Filho da mãe. A deixou em casa e a deu um beijo de boa noite, que já estava de manhã, a propósito. Ela não se segurou, e acabou retribuindo o beijo. Por uma hora e meia, mais ou menos. Chegou em casa em segurança, ou pelo menos ela achava que sim. Foi vestir um pijama – estava exausta – e percebeu que o nome daquele homem estava tatuado em sua coxa esquerda. E era o mesmo nome da pessoa que estava absurdamente apaixonada. Merda. Ignorou aquilo e foi dormir, parecia tudo um sonho. Até hoje não faz idéia do que rolou naquela noite.
Isso é baseado em uma história real, infelizmente. Menos a parte das tatuagens. Eu chequei. Duas vezes.
Escrito por letícia às 09h24
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Love Hurts Essas são palavras de quem já está bem o suficiente para escrevê-las. O suficiente, eu disse. Não significa que eu estou bem. Eu não estou. Tento seguir em frente com o meu caminho, mesmo embora que meu rastro esteja coberto com lágrimas e, em algumas horas, com sangue. Ah, sangue. A depressão já não me cai bem, junto com as marcas no corpo, olheiras e a tristeza que já parece um luto sem fim. Aprendi com a depressão – experiência própria, ninguém teve que me ensinar nada -, que cortar os pulsos é para quando você quer uma dor boa, para se sentir vivo, quando quer apagar aquela tristeza que você está sentindo. Ao contrário do que a maioria pensa, não é para provocar suicídio, porque daria muito trabalho e seria realmente bem inútil – além de ser um morte bem, digamos, escrota. E, também, não é para chamar atenção, porque eu já perdi a conta de quantas vezes tive que andar de casaco no sol quente apenas para disfarçar. É apenas para sentir dor. Dor boa. Felicidade. Que seja. Já me falaram – ensinaram, para ser mais correta – que existem outras formas de sentir essa mesma dor, essa dor boa, que tem a mesma sensação de vivacidade que tira rapidamente toda a tristeza e raiva de seu corpo. Seja dar uns amassos no banco de trás do carro com o seu peguete, seja correr na velocidade máxima da esteira e, para os mais aventureiros, até pular de para quedas vale. Mas você descobre que não precisa mais disso quando se apaixona. O amor é toda a dor – boa e ruim, principalmente ruim – que você poderá sentir em sua vida, sem reclamar. É aquela dor que você sente quando ele demora para responder suas mensagens, quando ele fala que vai rapidinho em algum lugar e volta às duas da madrugada. É quando ele fala que vai inocentemente visitar os amigos naquela festa da faculdade, e você fica por horas se torturando se ele está olhando para as garotas de lá, ou até mesmo fazendo contato até demais com elas. É aquela facada no peito quando ele fala que não poderá estar com você nos próximos meses, ou até anos. É quando você não consegue dormir sem aquele seu abraço quente, mas sabe que isso está há mil quilômetros de distância. É aquela dor insuportável quando ele te xinga de coisas que nem você sabia que ele podia um dia ousar a te chamar. É aquela vontade de pular da janela quando você percebe que hoje completam três tristes meses que vocês terminaram. Quer se sentir vivo, não corte os pulsos, não precisa pular de para quedas. Apenas se apaixone. Mentira, não se apaixone. Pule de para quedas, é menos perigoso.
Escrito por letícia às 13h04
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http://www.youtube.com/watch?v=NY-JnCrwbS0 You And Me. A música é triste mas tem um significado: It’s you and me and it’s always been. Ou pelo menos era. O que aconteceu mesmo? Eu não sei, ninguém sabe. Talvez você saiba, mas não me diga porque é doloroso demais ouvir. And how I feel about you, there’s no end. Essa parte é verdade. Não tem fim. Não tem a PORRA de um fim. Você bem que tentou. Xingamentos não colocaram um fim nesse sentimento estúpido. Eu ainda sinto tudo que eu sempre senti. But you made me chase you around. E essa é a parte vergonhosa. “Perseguir” tem seus vários sentidos, e o sentido que corresponde nessa frase não é o que eu estou atrás de você olhando e anotando seus passos – juro que não estou - , mas sim que até hoje estou aqui, e esse pode ser um dos erros mais cruciais que tenho cometido até hoje. Mas sim, sou apaixonada por você até hoje, e não nego. You made me chase you around. And when this dance is done, you and me are still the only ones. Tudo acabou, mas pra mim, sempre vamos ser os únicos. Naquele momentos, fomos únicos. E sempre seremos. Naquele momento. E ninguém tira isso de nós. Since time begun, and I’m still with you even when you’re gone. E isso é sem comentários. Você se foi. Me deixou da pior maneira possível. E eu sempre vou estar aqui, torcendo por você. Por falar nisso, boa prova. Knowing that you’re walking away... João Paulo, essa é pra você. (e o pior é que tem tantas coisas mais que eu queria te dizer...)
Escrito por letícia às 23h01
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Casamento Na Academia Essa ideia toda começou quando eu vi um menino lindo na academia. Minha academia. Mas sem exageros e se, precipitações, lindo é apelido; ele era simplesmente maravilhoso. De repente, nosso lindo casamento veio em minha mente. Todos daquela academia saíram do caminho. E seus pesos de 40 quilos – um de cada lado, é claro – foram substituídos pelo meu adorável corpo em um belo vestido branco e, surrealmente, ele continuava com a mesma roupa de malha que estava vestindo naquele dia, que assim como todos os convidados, que ao invés de terno e vestidos longos, estavam de roupas de academia de lycra. Claro que eu não me incomodava com aqueles homens com seus músculos aparecendo. O altar era a esteira, que eu torcia para não ligar do nada, afinal, eu estava em cima dela. O padre era o dono da academia; careca, negro e muito, muito bombado. Se ele não fosse o padre do meu casamento, eu também estaria sonhando com um casamento com ele. Na hora do “Sim, Letícia, eu aceito me casar com você”, acabou meu tempo nos abdominais e eu acordei. Era tudo um sonho. Nesse momento ele deve estar malhando perna no Leg Press com o peso 150. E eu escrevendo sobre o nosso casamento e postando no blog. (Próximo post é sobre os nossos filhos).
Escrito por letícia às 15h11
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Amnésia. Raiva. Saudade. Indecisão. Segredos. Tantos segredos. Colégio, notas baixas. Preconceito. Brigas, problemas com os pais, vontade de fugir de casa. Ensino médio do inferno. Mais saudade. Mentiras. Festas. Vodka, muita vodka. Muita vodka mesmo. Como foi a festa? Não lembro... Um pouco de tequila. Cerveja hoje não, obrigada. Identidade falsa. Acho que estou apaixonada, e sei que você está também. Lembranças de coisas que queria esquecer. Mãe, vou estudar na casa da minha amiga, já volto. Ela acreditou, vamos pra festa! Fotos. Internet. Ver FRIENDS até não agüentar mais. Lembrar do ex namorado. Nunca ter certeza se já o esqueceu ou não. Ter cara de virgem é um problema? Emagrecer, academia, salada salada salada! Mais bebida. Cair no chão. Risadas, muitas risadas. Ser feliz, ser infeliz. Esqueceu ele agora? Abstinência, remédios para dor de cabeça e Gusttavo Lima. Aí eu lembro que odeio Gusttavo Lima. Preciso de rock. Preciso de uma boa dose de Beatles. 22. Ele tem 22 anos. Interessante. Óculos escuros. Saias curtas. Amor. Mentira, amor não. À procura do corpo perfeito – porque, convenhamos, o meu é uma merda. Não, obrigada, eu não fumo. Não consigo parar de pensar nele. Será que deveríamos voltar um dia? Não, isso nunca. Mas eu quero. E como quero. Letícia, pare de pensar nisso. Disney. Programações. Depressão eterna. Vizinho do andar debaixo. Ela. Ele. Vontade. Garotos maus. Universitários. Sou nova demais para eles, mas foda-se. Linkin Park no volume máximo. Orientação sexual. I Wish You Were Here. Pensamentos suicidas e distorcidos. Porra, vocês tem o mesmo nome. Promessas que não vão ser cumpridas. Quero você, só por uma vez. Vontade de chorar. Que vadia! Você beijou ele. Sim. Desculpa. Tudo bem. Arrependimentos, tantos arrependimentos! Máquina do tempo. Ela descobriu. SAI DA MINHA VIDA, DESGRAÇA. Metallica. Física fodendo minha vida. Quero meu ex namorado. Não quero mais. Vamos esquecer disso, tem cerveja aqui. Dormir na rua. Acordar na rua. Homem que tem carro é a melhor coisa do mundo. Você é amigo do meu ex, isso tá certo? Ah, tanto faz. Distância, maldita distância. EU SOU APAIXONADA POR VOCÊ. Ou era, pelo menos. Belo carro, é seu? Se quiser eu entro nele. Remédios tarja preta, cortes no pulso... Vontade de pular da janela. Alguém me salvaria? Fura-olhos. Traição. Barracos. Vontade de matar meio mundo. Vontade de ME matar. Ainda sofrer por ele. Não esquecer. Sofrer. Sofrer. Amar. Não, espera. Amar não.
Escrito por letícia às 21h33
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Futuro. Já aviso que esse texto foi uma espécie de “encomenda”. Me pediram, eu fiz. Não adianta reclamar, foi você quem pediu para eu fazer. Não se lembra ? O que todo homem deveria saber é simples e fácil de aprender: nunca desrespeite uma mulher, ou você perderá todo o seu valor. Eu realmente achei que você seria a última pessoa a me magoar. Que tola eu fui. Eu já deveria saber. Saber que tudo estava bom demais para ser verdade. “Eu sei que nunca vou achar alguém como você” Brasília, 6 de agosto de 2011. Talvez. Mas acredite que você nunca vai achar alguém que goste mais de você do que eu já gostei. Ninguém escutaria tudo o que você falou sem fazer nada. Acho que nunca ter apontado nenhum defeito seu depois de tudo o que você disse foi a maior prova de afeto que você poderia pedir. Ninguém mais deixaria passar. Mas eu deixei, porque vi que não valia a pena te machucar. Boa sorte se tentar fazer isso com outra pessoa, porque duvido que ela te aceitará de volta. Não machuque mais as pessoas. Valeu a pena ter me machucado? Espero que sim. Te esquecer foi difícil – acho que não conseguiria fazê-lo de novo. Então não importa se tudo estiver bem, não poderíamos voltar, porque não daria certo, e você sabe disso. Achei que nós fomos feitos pra ser, até que você provou ser outra pessoa. Alguém totalmente diferente, um monstro. Eu sei que não fui feita pra esse monstro, muito menos me apaixonei por ele. Eu não gosto de você. Eu gosto do que você ERA, gosto do que nós tínhamos antes de tudo perder o controle e ir para o caminho errado. Se pudesse, queria as coisas como eram antes. Mas isso não é possível. As palavras que você disse não voltam mais, nem o tempo perdido. Meu coração te quer. Mas meu cérebro sabe que não posso te ter nunca mais. Eu tenho amor próprio o bastante pra não querer te ter mais. “você está saindo da minha vida e parece que vai demorar” Então o nosso futuro é esse: você aí e eu aqui, separados. Queria que tivesse dado certo, mas não deu. E sim, isso é um adeus. PS: Não desejo nada de ruim para você. Pelo contrário, espero que você se ajeite, espero que encontre um emprego e um lugar bom para morar. Mas só uma dica: não machuque mais ninguém. Você não sabe como dói. PSS: Não venha me xingar por causa desse texto, porque você não tem motivos. Cansei dos seus xingamentos, e acho que não conseguiria agüentar mais outro. Não me faça sofrer mais, por favor. PSSS: Assumo, na frente de todo mundo, que errei também. Fui idiota, fiz besteiras. Mas eu nunca – nunca – quis te magoar, e tudo que eu fiz foi pensando em nós dois. Até porque, depois de ser tratada que nem merda, eu continuei te tratando bem e nunca te xinguei de nada. Você me chamou de infantil, mas você tem que admitir que eu fui madura nesse aspecto. Fiz de tudo pra te ver bem. Mas você nunca viu isso.
Escrito por letícia às 14h03
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